Arquivo para ‘Arquitetura’

31.08.2010

Bienal de Veneza – Exposição Internacional de Arquitetura

Começou neste domingo (29.08) e vai até 21 de novembro a 12.ª Exposição Internacional de Arquitetura de Veneza, nos espaços Giardini e Arsenale da cidade italiana, com o tema  People Meet in Architecture (Pessoas se Encontram por meio da Arquitetura). O evento faz parte da Bienal de Veneza, que ocorre desde 1895 e reúne diversas modalidades, como dança, teatro, arte e cinema.

A Bienal de Arquitetura 2010 reúne 48 participantes selecionados pela arquiteta japonesa Kazuyo Sejima - sócia de Ryue Nishizawa, do escritório Sanaa, vencedor do prêmio Pritzker deste ano (que na arquitetura equivale a um Oscar ou a um Nobel) - mais 53 representações nacionais nos pavilhões dos Giardini.

O pavilhão brasileiro, nos Giardini, reúne projetos de sete arquitetos convidados, além da mostra 50 Anos Depois de Brasília, onde a capital federal é citada por meio de fotografias, maquetes e pelo desenho urbanístico criado por Lucio Costa. A curadoria, escolhida mediante concurso, ficou a cargo do arquiteto e designer gráfico Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake.

A efeméride dos 50 anos da construção de Brasília foi o tema proposto pela Fundação Bienal de São Paulo, por meio de parceria com o Ministério da Cultura e Ministério das Relações Exteriores, responsáveis pela representação nacional brasileira nas Bienais de Veneza.

A Bienal concedeu, no último sábado (27.08.10), o Leão de Ouro ao holandês Rem Koolhaas pelo conjunto de sua obra. “Ele ampliou as possibilidades da arquitetura; cria edifícios que estimulam a interação entre as pessoas; inspira profissionais dos mais variados campos disciplinares ao trazer grande liberdade em seu trabalho”, disse Kazuyo Sejima. Koolhaas já havia ganhado o Pritzker em 2000.

A Câmara da Bienal também decidiu oferecer um Leão de Ouro comemorativo, em memória da arquiteta japonesa Kazuo Shinohara, que morreu em 2006 e teve ampla influência na cena arquitetônica japonesa, inspiração para trabalhos como de Toyo Ito, Kazunari Sakamoto e Itsuko Hasegawa.

Confira o os arquitetos brasileiros convidados:

Mario Biselli e Artur Katchborian

O escritório que se dedica a uma arquitetura de grande porte, como destaca o curador, comparece com obras do Aeroporto Internacional de Florianópolis (2004), o Teatro de Natal (2005) e o Centro Municipal de Arte e Educação dos Pimentas, em Guarulhos (2008/2009).

Angelo Bucci

O arquiteto do escritório SPBR está representado pelos projetos da Midiateca da PUC do Rio (2006/09); casa em Ubatuba (2007/09) e por igreja de Culiacan, México (2009).

Daniel Corsi e Dani Hirano

Os mais jovens da representação brasileira na Bienal, apresentam o Museu Exploratório de Ciências da Unicamp (2009), o Parque do Lago de Quito, Equador (2008), Complexo Trabalhista de Goiânia (2007) e a Casa Global (2005).

Marcos Boldarini

Centrado em obras voltadas para favelas, o arquiteto expõe os projetos Cantinho do Céu – Entre A Casa e A Água, para Billings, e Grotinho, concebido para Paraisópolis, ambos em São Paulo.

Gustavo Penna

O arquiteto mineiro também foi convidado por Ricardo Ohtake e apresenta obra criada para Belo Horizonte, especialmente como parte do Ano da Imigração Japonesa no Brasil, em 2008.

fonte: Estadão

Beijos

Sam!

30.03.2010

Kitchen & Bath 2010

Entre os dias 9 e 12 de março ocorreu a 5ª Kitchen & Bath, no Transamérica Expo Center, em São Paulo (SP). A exposição trouxe as novidades dos setores de cozinha e banheiro para este ano. Os produtos são voltadas quase que exclusivamente para o público de alto poder aquisitivo, com materiais luxuosos e tecnologia de ponta, mas econômicos.

O evento é restrito a profissionais do segmento, e conta com mais de 60 expositores nacionais e internacionais. Neste ano, os fabricantes apostaram em produtos sustentáveis e facilitadores, com design contemporâneo e cores que são tendência na moda (branco, nude, alaranjado, roxo e cinza), traduzidos em duchas com monitoramento digital de tempo e temperatura, cabines de banho com entrada para MP3 e telefone viva-voz , banheiras com televisores LCD, torneiras com controle maior de vazão da água, vasos sanitários com duplo acionamento de descarga, acabamentos para válvula com sensor de aproximação de mãos, misturadores para banheiras e pias com jato regulável, coifas acionadas por controle remoto e novas superfícies para bancadas desenvolvidas com proteção antibacteriana, produtos impermeáveis e de fácil limpeza e manutenção.

Cada vez mais dinâmicas e práticas, as peças aparecem menores e com linhas mais suaves. As novidades vistas na feira estarão disponíveis no mercado ainda esse ano e o consumidor poderá escolher entre o “luxo sustentável” e o “luxo tecnológico”.

retirado de casaeimoveis.uol.com.br , com adaptações.

Confira alguns produtos:

Banheira "Spa Esfera" da 'Pretty Jet'. Possui multijatos massageadores nas laterais e piso. Acomoda 5 pessoas, e promete massagem homogênea.

Cuba Tabaco coberta com esmalte vítreo e óxido de ouro. Da artista plástica Daniele Drummond - BH

A ducha da linha Ocean da Perflex tem linhas retas, e dois tipos de queda: ducha ou jato cascata

Assento Soft Close da Astra, com fechamento suave evitando barulho e garantindo maior durabilidade

Saboneteira para cozinha ou banheiros, da Franke. Corpo em latão e recarregamento feito por cima, retirando o dosador.

Cuba de aço inox escovado Mekal, com desig moderno. Disponível a partir de abril.

Válvula de descarga com sensor ativado pela aproximação da mão, da DOCOL. Ótima para banheiros públicos!

Shower Spa H-0002, da Heaven Spas. Tem sauna úmida, jatos verticais articulados, misturador termostático, entrada para CD ou MP3, e telefone viva voz. As paredes são de vidro temperado, e o piso de mármore. Pouca coisa hein!?

Tudo muito lindo e luxuoso, mas a maioria dos produtos ainda estão longe de serem acessíveis.

Beijitos, Sam!

16.03.2010

Vivendo com libélulas

Um dos problemas da moderna vida urbana é a super densidade das cidades, em detrimento às áreas rurais, que em alguns locais já se tornam insuficientes para suprir as necessidades das metrópoles.

Pensando nisso, o arquiteto belga Vincent Callebaut, de inspirações obviamente futuristas (vide o site do arquiteto http://vincent.callebaut.org/ ), propôs uma fazenda vertical inspirada nas asas de uma libélula.

O edifício, que seria instalado em Nova Iorque, é auto-suficiente em energia, água e fertilizantes (!). Possui 132 andares, totalizando 600 metros de altura, e abriga 28 tipos de produção de grãos, vegetais, frutas, carnes e laticínios.

Para que a torre seja utilizada 24h, há ainda espaço para moradia, trabalho e laboratórios de pesquisa.

Muito louco né? Não sei até onde daria certo, mas achei uma idéia bem legal. E também é charmosinha a libélula, diz aí!?

Beijos

Samara

19.11.2009

Diário de Viagem – Rio de Janeiro

Fui ao Rio de Janeiro pela primeira vez na semana passada. A cidade me causou emoções e impressões diversas no pouco que deu pra conhecer em quatro dias. Mas vamos do começo. 

Primeiro, antes de viajar tive que dar uma passada no shopping, hehe. Queria um chinelo e short novos. Passei por algumas lojas, e acabei encontrando o que queria na Hering. Lá tem umas peças com estampas bem originais, que saem do que se encontra normalmente. Quando ia procurar uma havaina, vi lá na Hering mesmo um chinelo com bolas que achei o máximo! E o preço estava bom. Já resolvi tudo no mesmo lugar. 

short [49,90] e chinelo [19,90]. ambos da Hering

 

Aí passei a noite fazendo as malas, cheguei no aeroporto umas 6h, e acho que a primeira coisa que fez cair a ficha de que eu estava indo pro Rio foi um senhor que apareceu com o maior jeito de bossa nova. O que seria isso? Barba grisalha, óculos de grau que mais parece um Ray ban (mas não daqueles moderninhos que o povo tá usado hoje em dia), camisa clara, e claro, um chapéu panamá! Isso chamou minha atenção. 

Chegando na cidade, fiquei esperando encontrar uma paisagem belíssima, de tirar o folego. O aeroporto fica um pouco afastado, então esperei, esperei… fui chegando em Copacabana, e fiquei um pouco decepcionada. Minha espectativas estavam muito altas, e o tempo nublado não colaborou. No caminho ví alguns prédios bonitos, antigos, mas mal cuidados em sua maioria. Deu pra ver a dimensão impressionante da ponte Rio-Niterói, algumas favelas também rs. A pista elevada em um grande viaduto desvaloriza as visuais da cidade. Você enxerga tudo um pouco de cima. Acho que o contraste maior é por eu ser de Brasília. Uma cidade que já foi concebida para ser percorrida e admirada de carro em sua maior parte. No RJ não é assim. É no caminhar que são descobertas suas maiores belezas. As ruas internas lembram muito o cenário do centro de São Paulo. Não muito bonito.    

Ao caminhar pelo calçadão porém, comecei a ter uma visão diferente da cidade. Alí é a grande artéria do lugar, onde pulsa a vida. O movimento é constante da manhã até a noite. Os edifícios vistos da praia formam um bonito pano de fachadas que se completam com um belo movimento de curvas e detalhes. Este é interrompido apenas por alguns hotéis mais novos e pouco criativos, que se vestem de vidro e se elevam até o dobro da altura dos charmosos prédios antigos, quebrando o ritmo. A maioria dos quiosques são totalmente diferentes de outras praias que eu conhecia. Verdadeiras lanchonetes a beira-mar, mas sem perder o charme. Já viram McDonalds e Habibs na praia? 

 

 

Ao visitar o centro da cidade me deparei com mais alguns prédio históricos belíssimos. Entre eles, o Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional e a Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro (sim! a bela Catedral da minha igreja). Estes edifícios são ricos, e cheios de detalhes que te fazem sentir pequeno em meio a tamanha grandeza. 

esculturas na cobertura representam classes artísticas (as imagens estão ruins, mas dá pra ter uma noção). Colunas Corintias na fachada

Composição clássica e detalhes art noveau

Igreja-mãe das Presbiterianas do Brasil, foi organizada em 12 de janeiro de 1862 com o Rev. Ashbel Green Simonton. Passou por diversos endereços e construções. O edifício atual só foi concluido em meados de 1950. Ok, é uma pseudo igreja gótica finalizada quando o modernismo já era vigente. Mas... não deixa de ser bonita.

Mas o que mais me impressionou foi um palácio que para muitos passaria despercebido. O Palácio Capanema (1936-43), de Niemeyer, Lúcio Costa e outros arquitetos de vanguarda modernista, assessorados por Le Corbusier. É considerado o primeiro edifício modernista puro de grande importâcia no mundo. É belo em sua simplicidade. Suas formas e o espaço criado por seus vazios são de uma monumentalidade sutil. O pé direito alto onde se encaixam os blocos auxiliares do hall e do auditório proporcionam um espaço rico cheio de liberdade. Adorei conhecer de perto esse lugar repleto de história. 

Passei também pelo Maracanã, Sambódromo, Catedral Metropolitaa do Rio, Forte de Copacabana. Aliás, adorei esse último. Tem uma vista maravilhosa e um ambiente muito gostoso, com direito a uma filial da famosa Confeitaria Colombo.

De praias, só conheci Copacabana e Ipanema. Essa última tinha o mar muito melhor pra nadar, pelo menos quando eu fui. Com aquelas “ondas que são só ondulações” e numa profundidade e temperatura ótimas. Pena que o pessoal joga muito lixo no mar. A de Copa já estava mais agitada, com ondas bem fortes mesmo na parte rasa. E passar pra parte mais funda não é exatamente uma boa idéia.

Os tradicionais pontos do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar são ótimos! Com paisagens incríveis da cidade. O bondinho só é bem mais rápido do que eu esperava, mas são dois trechos na ida (até o morro da Urca, depois até o Pão de Açúcar propriamente), mais os dois de volta, então dá para aproveitar.

 

Ainda tem dezenas de lugares que devem valer muito a pena no Rio, e que eu não consegui ir dessa vez. Mas fiquei com vontade de voltar com mais calma. São tantos museus, teatros, edifícios históricos, parques… deixa eu parar por aqui, porque já escrevi demais! E nem falei tudo. O Rio é um lugar muito rico em natureza e cultura. Vale a pena conhecer.

Beijos, Sam!

09.11.2009

Acácio Gil Borsoi

Semana passada vi a notícia de que o arquiteto carioca Acácio Gil Borsoi faleceu de cancer aos 85 anos. Não conhecia a obra deste aqruiteto que teve grande relevância na arquitetura nacional, então fui atrás.

Foi arquiteto, desenhista e decorador formado no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. A convivência com o pai, autor de projetos de reformas e interiores, como a Confeitaria Colombo, Palácio da Guanabara e Cinema Íris, no Rio, desperta a paixão pelo ofício, a experimentação e o detalhamento.

“Para realizar alguma coisa, deve-se ter domínio do que se propõe a fazer e de que forma fazer.”

Antes de se formar, já mantinha um pequeno escritório com Almir Gadelha e Artur Coelho e chegou a trabalhar com Alcides da Rocha Miranda e Afonso Reidy.

A princípio, pretendia viajar e estudar na Europa. Mas incentivado pelo professor de Arquitetura Analítica, Lucas Mayerhofer, que voltava do Recife, acaba aceitando o convite para lecionar “Pequenas e Grandes Composições de Arquitetura”, na Escola das Belas Artes de Pernambuco. “Todo mundo foi contra, até Niemeyer, a quem consultei, reagiu: ‘Borsoi, o que você vai fazer em Pernambuco?’ Mas, decidi vir.”

Influencia várias gerações de arquitetos do Nordeste, para uma arquitetura vinculada à problemática regional, legitimada pela consciência crítica.

A atuação inicial no Recife reflete o ajuste gradual dos princípios modernistas e do sonho, à realidade de um Nordeste marcado por contrastes violentos, num quadro de vitalidade, carências sociais e econômicas, agravado por turbulências políticas. A tradição moderna e racionalista passa, então, por um “processo de revisão” por intermédio do regional e do artesanal. O repertório “formalista” e ortodoxo cede lugar a uma proposta arquitetônica mais livre, menos dogmática e acadêmica, em que sobressai a intervenção construtiva do autor no contato direto com o canteiro, monitorando cada etapa da obra.

“Os primeiros projetos estavam muito ligados à arquitetura de Niemeyer, os pilotis, a leveza das formas. Contudo, minha preocupação principal não era com os pilotis em V, mas com a proporção entre as partes e o todo. A questão da harmonia, do princípio, meio e fim.”

Em 68, abre o escritório Borsoi Arquitetos Associados. Sobressaem nos projetos a bem dosada luz, volumes e superfícies, a presença de varandas salientes e janelas em relevo como recurso de proteção à insolação e ventos fortes, a composição hierarquizada – o embasamento, o corpo e o coroamento -, a volumetria dinâmica marcada por recortes, silhuetas e cavidades, que funcionam como elementos de conforto climático, beleza plástica e ornamentação.

Destaque especial merecem as obras públicas, segmento em que Borsoi se revela mestre. Edifícios, como o da Secretaria da Fazenda, em Fortaleza, Ceará, a Assembléia Legislativa e o Fórum de Teresina, no Piauí, o Centro Administrativo de Uberlândia, MG, assumem nitidamente um caráter celebrativo, monumental. Monumental não no sentido de poder, mas de inserção num contexto, presença ou imagem de uma composição na paisagem urbana e natural, em que elementos construtivos, estéticos e funcionais se completam, na busca do sentido da permanência, da beleza e emoção.

Fontes: Revista AUdissertação de Izabel Fraga do Amaral – Ufrn

Algumas obras de Borsoi:

Muitas de suas obras são bem típicas do modernismo brasileiro (como a maioria das apresentadas aqui), com influência de Le Corbusier e tudo mais… mas o melhor é ver aquelas de caráter regional, que mostram preocupação com clima e a sociedade. Dá pra ver porque este arquiteto foi importante para o Brasil. Adorei saber um pouquinho sobre seus projetos, que ainda serão muito lembrados mesmo com sua partida.

Repare nos calungas (os bonequinhos) dos croquis. Bem anos 50. Uma graça!

Beijos

Sam

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