Foi arquiteto, desenhista e decorador formado no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. A convivência com o pai, autor de projetos de reformas e interiores, como a Confeitaria Colombo, Palácio da Guanabara e Cinema Íris, no Rio, desperta a paixão pelo ofício, a experimentação e o detalhamento.
“Para realizar alguma coisa, deve-se ter domínio do que se propõe a fazer e de que forma fazer.”
Antes de se formar, já mantinha um pequeno escritório com Almir Gadelha e Artur Coelho e chegou a trabalhar com Alcides da Rocha Miranda e Afonso Reidy.
A princípio, pretendia viajar e estudar na Europa. Mas incentivado pelo professor de Arquitetura Analítica, Lucas Mayerhofer, que voltava do Recife, acaba aceitando o convite para lecionar “Pequenas e Grandes Composições de Arquitetura”, na Escola das Belas Artes de Pernambuco. “Todo mundo foi contra, até Niemeyer, a quem consultei, reagiu: ‘Borsoi, o que você vai fazer em Pernambuco?’ Mas, decidi vir.”
Influencia várias gerações de arquitetos do Nordeste, para uma arquitetura vinculada à problemática regional, legitimada pela consciência crítica.
A atuação inicial no Recife reflete o ajuste gradual dos princípios modernistas e do sonho, à realidade de um Nordeste marcado por contrastes violentos, num quadro de vitalidade, carências sociais e econômicas, agravado por turbulências políticas. A tradição moderna e racionalista passa, então, por um “processo de revisão” por intermédio do regional e do artesanal. O repertório “formalista” e ortodoxo cede lugar a uma proposta arquitetônica mais livre, menos dogmática e acadêmica, em que sobressai a intervenção construtiva do autor no contato direto com o canteiro, monitorando cada etapa da obra.
“Os primeiros projetos estavam muito ligados à arquitetura de Niemeyer, os pilotis, a leveza das formas. Contudo, minha preocupação principal não era com os pilotis em V, mas com a proporção entre as partes e o todo. A questão da harmonia, do princípio, meio e fim.”
Em 68, abre o escritório Borsoi Arquitetos Associados. Sobressaem nos projetos a bem dosada luz, volumes e superfícies, a presença de varandas salientes e janelas em relevo como recurso de proteção à insolação e ventos fortes, a composição hierarquizada – o embasamento, o corpo e o coroamento -, a volumetria dinâmica marcada por recortes, silhuetas e cavidades, que funcionam como elementos de conforto climático, beleza plástica e ornamentação.
Destaque especial merecem as obras públicas, segmento em que Borsoi se revela mestre. Edifícios, como o da Secretaria da Fazenda, em Fortaleza, Ceará, a Assembléia Legislativa e o Fórum de Teresina, no Piauí, o Centro Administrativo de Uberlândia, MG, assumem nitidamente um caráter celebrativo, monumental. Monumental não no sentido de poder, mas de inserção num contexto, presença ou imagem de uma composição na paisagem urbana e natural, em que elementos construtivos, estéticos e funcionais se completam, na busca do sentido da permanência, da beleza e emoção.
Repare nos calungas (os bonequinhos) dos croquis. Bem anos 50. Uma graça!