Brasília completou 50 anos, e não podemos dizer que há muito o que comemorar. Já que nosso presente não está lá muito bonito, vamos voltar ao passado, e rememorar desde os primeiros ideais da capital centrada no planalto brasileiro, à concretização do imaginário.
“Desde o início da colonização portuguesa, cidades e vilas foram projetadas e construídas no Brasil. A primeira foi Salvador, fundada para ser a capital do Governo Geral, em 1549. Ao longo do século XVI e, principalmente, a partir do final do século XVII e em todo o XVIII, muitas outras foram construídas, numa política deliberada de ultrapassar a linha imposta pelo tratado de Tordesilhas. (…) A ocupação do território tornou-se novamente questão essencial a partir da proclamação da República em 1889.”¹
1761 – Por volta de 1761, o Marquês de Pombal “… pensa em erguer no sertão uma cidade, não apenas Capital da Colônia, mas do Reino, a meio caminho da África e das Índias, na rota das linhas vitais do seu comércio”.
1808-1813 – O jornalista Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça almeja, através de sucessivos artigos do jornal Correio Braziliense, empolgar a opinião pública com a idéia da construção de uma nova capital no interior do Brasil, dando à idéia uma amplitude até então inédita. Hipólito desbancava o Rio de Janeiro por não ter “nenhuma das qualidades que se requerem na cidade, que destina a ser a Capital do Império do Brazil”.
1822 – É sugerido o nome Brasília, para uma nova capital do país, em publicação anônima que circulou no Rio de Janeiro no ano de 1822.
1823 – José Bonifácio de Andrada e Silva (figura de maior prestígio da elite brasileira nas primeiras décadas do século 19. Foi convidado por D. Pedro para liderar seu Ministério, assumindo a pasta do Reino e dos Estrangeiros. Elaborou o para servir de base à Constituição da Nação Portuguesa que se estava elaborando em 1822, e neste, propunha que a capital fosse transferida para o interior do País, a fim de estimular o seu povoamento. E sugere: “Essa capital poderá chamar-se Petrópolis ou Brasília”. Ficou com o mérito de ter sido o primeiro a laçar o nome oficialmente, e é citado no relatório de Lúcio Costa.
1891 - Já na primeira Constituição republicana, foi estabelecida a implantação da nova capital do Brasil no Planalto Central. Artigo terceiro: “Fica pertencente à União, no Planalto da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal”.
1892 – O governo Floriano Peixoto convoca uma equipe, liderada por Luiz Cruls (militar e astrônomo, diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro), para determinar a locação do Distrito Federal. Em sete meses a Comissão percorre mais de quatro mil quilômetros do Planalto Central Brasileiro, elaborando um minucioso levantamento sobre a topografia, o clima, a hidrografia, a geologia, a flora, a fauna, recursos minerais e materiais de construção existentes na região. Em seu relatório, Cruls recomenda que a capital seja instalada acima de 1000 metros de altura, e que integre as três principais bacias brasileiras. A altitude garantiria a pureza das águas da região, que nascem no local, não passando por outros lugares.
1922 – No ano do centenário da independência brasileira é lançada a pedra fundamental da nova capital, no Morro Centenário, local onde hoje existe Planaltina.
1940 – O presidente Getúlio Vargas lança a “Marcha para o Oeste”, e retoma a questão da ocupação do interior do país com a criação da “Fundação Brasil Central”, mas, inicialmente, não pretende transferir a capital para o interior. O projeto de mudança foi adiado desde a instalação da ditadura do Estado Novo.
1946 - O Brasil se redemocratiza. Com a revisão constitucional, a mudança da Capital para o Planalto Central é incluída. Em novembro, o presidente Eurico Gaspar Dutra nomeia a Comissão de Localização da Nova Capital, chefiada pelo General Djalma Polli Coelho, para ratificar ou retificar os levantamentos feitos pela Missão Cruls. A Comissão Polli Coelho, após dois anos de trabalho, referenda o Quadrilátero Cruls como sendo o local ideal para se construir a nova Capital.
1953 – Getúlio propõe a mudança da capital em votação, e é aprovada. A Lei nº. 1803 autoriza o governo a definir o sítio da nova Capital, em três anos. O presidente nomeia nova comissão, presidida pelo general Aguinaldo Caiado de Castro, que contrata a firma americana Donald Belcher & Associates Incorporated, para fazer a interpretação dos levantamentos aerofotogramétricos realizados pela companhia aérea Cruzeiro do Sul e escolher o sítio ideal para se construir a nova Capital Federal. A firma indicou cinco sítios identificados em mapa por cores diferentes.
Os sítios 1 (castanho) e 2 (verde) estavam presentes no retângulo de Cruls; O Sítio 3 (azul) no Góias, abrange Luziânia; Sítio 4 (vermelho) na divisa Minas/Goiás; Sítio 5 (amarelo) – o mais distante da atual locação, era próximo a cidades pré existentes e a uma estrada de ferro.
fonte, com adaptações
1954 – Getúlio Vargas comete suicídio. Café Filho toma a liderança do país, mas se afasta após enfarto. O presidente da Câmara dos Deputados (da oposição) assume, mas leva golpe, sendo substituído pelo Presidente do Senado até que Café Filho volta ao poder. É escolhido o Sítio Castanho para acolher a cidade.
1956 – Juscelino Kubitschek assume a presidência. A agitação política acentua a necessidade de mudança da capital. Há oposição, a exemplo do movimento Riocapital. Um dos argumentos era que a capital deveria situar-se no litoral, visto que 35 dos 50 milhões de habitantes do país ocupavam esta região. Os que eram a favor enxergavam uma chance de ampliar o mercado nacional. Goianos também eram favor da localização da nova capital.
1956 – Abril – Juscelino manda ao congresso projeto de lei criando uma Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP). Setembro – é publicado o Edital de Concurso para o Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.
CONCURSO
O obrigatório à apresentação da proposta era extremamente simplificado: traçado básico e relatório justificado. Não estavam discriminados parâmetros de dimensão ou população para a nova cidade, nem os prédios públicos que deveriam ser construídos. “As preocupações do governo se limitavam a construção de uma cidade, não considerando quem iria habitá-la ou que edifícios ela deveria conter”¹
Depois de questionada pelos concorrentes, a NOVACAP responde, em carta assinada por Oscar Niemeyer (diretor técnico da NOVACAP), ao Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil:
“permanece a atual organização ministerial acrescida de três ministérios. Só 30% dos funcionários serão transferidos (…). Previsão para 500.000 habitantes, no máximo”
1957 – Júri do Concurso se reúne para analisar as 26 propostas. Sete destas foram premiadas, e a de Lúcio Costa foi a escolhida.
1959 – Segundo o IBGE, cerca de 60 mil operários trabalhavam na construção da cidade. Faltando pouco mais de um ano para a inauguração, já contava-se em Brasília e arredores mais de 100 mil habitantes.
1960 – Oficialmente transferida a Capital do Rio de Janeiro para Brasília.
Alguns dos fatores que motivaram a mudança da capital:
Desenho urbano e arquitetura do Rio de Janeiro pouco adequada às tarefas políticas e administrativas do país;
Falta de segurança. Residência presidencial do Rio de Janeiro era muito exposta;
Almejo de monumentalidade;
Edifícios do governo eram pouco visíveis ou inadequados por ocuparem prédios que haviam sido construídos com outra finalidade;
Fontes: ¹Uma Outra Brasília – Antônio Carlos Carpintero; infobrasília ; estadão ; GDF
Postzinho histórico que quase ninguém vai ler todo, mas certeza que alguém vai copiar pra por no trabalho de história ou urbanismo! hehe
Beijos, Samara!









